sexta-feira, dezembro 16, 2011

sexta-feira, julho 31, 2009

Uma mão amiga...

Encontrei esta postagem num blog chamado "Ataque ácido". Procurei na página o autor da postagem, mas não achei. De qualquer modo agradeço a esse anônimo que está me dando essa força. Valeu! O artista paraibano Ricardo Fabião, está concorrendo a uma vaga na Garagem do Faustão com a música "Mistério". O vídeo da música está postado no site http://domingaodofaustao.globo.com/Domingao/Garagemdofaustao/0,,16989-p-V1091694,00.html e quantos mais acessos tiver, mais chances ele tem de mostrar seu trabalho em rede nacional. Vamos dar esta força ! A bela balada "Mistério", que embalou a juventude descolada de João Pessoa nos anos 80, é uma daquelas músicas românticas que emocionam sem ser melosa. É uma jóia rara esquecida na produção musical da Paraíba que nunca alcançou o devido sucesso. Eu recomendo ! Diante de tanta besteira cultural como a Dança do Quadrado e o rock sem graça dos emos, a música "Mistério" é um alívio aos ouvidos de quem gosta de coisa boa. Poesia pura !...tudo o que Ricardo merece é uma chance.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Para baixar músicas de Ricardo Fabião http://ricardofabiao.palcomp3.com.br

segunda-feira, novembro 21, 2005

Eu e Victória, amor sem limites

Sobre cores e homens

Antes daquele dia, a coisa que eu mais tinha medo era de trovões. Gostava de ver os raios rasgando o céu em noites chuvosas, reluzindo suas raízes luminosas sobre o cinza escuro das nuvens, porém, o barulho que eles faziam me apavorava. Tinha apenas nove anos naquela época. O mundo então se apresentava como um paraíso, formado por verdes e azuis e laranjas e vermelhos, tonalidades que se encaixavam perfeitamente à minha volta, enquanto eu solto na mata, acelerado, desvendava do meu jeito os mistérios guardados ali. Meu sorriso não me largava. Dispunha de ar suficiente para meus pulmões, comida para minha fome e carinho para meus lamentos de menino. Minha verdade era o cerco das árvores, o canto dos pássaros, o raiar e o pôr do sol. Apesar de traquino, nada me projetava para depois do horizonte. Ao meu ver, tudo acabava naquela linha onde limitavam meus olhos. Eu era o mais novo da família, seis filhos ao todo, duas mulheres e quatro homens. Um deles, já adulto feito, meu ídolo, era forte, sobretudo generoso e divertido. Sobre meus semelhantes eu sabia que vivíamos e morríamos por ali mesmo, felizes, em nossa pacata vila - uma aldeia erguida às margens de um gigantesco rio. Apesar da rusticidade do lugar, nada nos faltava. E não poderia ser diferente, pois de braços abertos nos acolhia uma natureza generosa e farta, extravagante em caprichos de fauna e de flora. Não buscávamos entendimento, mas sentíamos que essas forças naturais eram uma continuação do bem-estar instalado instintivamente em nossas vidas. Um círculo vivo, onde existir era um entretenimento intenso e harmonioso. Quando bem felizes, costume da nossa família, saíamos para um passeio matinal. Rumávamos oeste numa trilha por entre as árvores, até o ponto em que o oceano surgia diante de nós. Vinte quilômetros num passo de conversa e chegávamos em pouco tempo. Logo se espalhava uma imensidão de areia fina e ondas verde-azuladas, ambas tomadas pelo cheiro de sal e vida. Nem sinal de cansaço. Tudo em seu lugar. Poucos metros à minha frente seguia meu pai, homem de poucas palavras, mas de olhares repletos de carinhos. Anos depois, eu tentaria congelar essa imagem nas minhas lembranças, ele me olhando, dizendo todo amor que não sabia usar em palavras, mas com a mesma rapidez que me vinha, isso se apagava. Foi num dia de sol, quando pela última vez, ele me fitou seu carinho de genitor. Tínhamos acabado de chegar à praia. Neste dia, estávamos eu, ele e dois dos meus irmãos. Sorríamos, jogávamos areia uns nos outros, corríamos a criar brincadeiras sem regras, duelando com a força das águas. Subitamente, saíram vários homens do mar, vestidos com roupas estranhas, e agarraram meu pai e meu irmão mais velho. Ficamos tão assustados que não esperamos para conferir o que aconteceria depois. Entramos na mata e fomos contar o ocorrido ao povo da aldeia. Para nossa surpresa, havia dezenas desses invasores lá também, e já tinham levado muitos dos nossos amigos e parentes. Minha mãe e outras mulheres estavam ajoelhadas, implorando que eles deixassem seus maridos e filhos em paz, não adiantava, os desconhecidos estavam determinados a levá-los - concluí, escondido por trás de uns arbustos. Nossa harmonia foi violentada. As pessoas gritavam, corriam para o nada. Vi quando aqueles desconhecidos assassinaram alguns aldeões que resistiam à prisão. Naquela manhã, eu perdi meu pai, meu irmão, cinco tios e um avô. Corri para mata, subi na minha árvore preferida e de lá não saí até anoitecer. Chorei tudo que um garoto de nove anos sabe chorar. Logo depois em casa, de cara com o olhar vazio dos meus irmãos, percebi que nossas vidas tinham sido partidas ao meio. Essa dor cavou um abismo no peito dos moradores da aldeia, onde muitos caíram e não mais retornaram. Eu mesmo enterrei naquele oco, o paraíso que eu pensava do mundo. Lembrei-me dos trovões, de como eles me apavoravam, nada comparado ao estrago causado por aqueles desconhecidos em meu mundo. A verdadeira ameaça - deduzi - tinha pele branca e saía do mar. Ninguém soube explicar o que aconteceu naquela manhã. Perguntei uma, duas, três e cem vezes, contudo, o que tinham de resposta era uma cabeça baixa, escondendo o semblante de desonra e tristeza. Calei minha dúvida e cresci, enquanto desbotavam minhas lembranças, deixando mais distantes o paraíso enterrado e o olhar cheio de palavras do meu pai. Agora, meu corpo todo de rapaz era alvo dos olhares femininos, e também eu, já andava de olho grudado numa linda moça. Não demorou e juntamos nossos desejos numa só direção. Construímos uma família. Geramos três filhos. Eu, assim como meu pai, endereçava-lhes o velho olhar dos sentimentos que não se sabe dizer, e também meus meninos, eles entendiam, isso era idioma silencioso, mas nos confortava. Concluí, vendo-os crescer que a felicidade estava retornando à minha vida. Retirei do baú o velho sorriso de criança, e ele funcionou. Traço torto, que algum tempo depois se fechou para sempre. Isso foi num fim de tarde: Os invasores do passado retornaram à nossa aldeia. Levaram-me para o mar. Dessa vez não dispensaram nossas mulheres. Vi quando dois homens agarraram a mãe dos meus filhos e arrastaram-na pelos cabelos. Também eles foram levados. Para onde? Por que aqueles homens nos prendiam? Finalmente eu teria a resposta. E foi no interior de um navio, acorrentado, que comecei a entender toda história: eles nos levavam para suas terras, e lá trabalharíamos até morrer, sem receber nada em troca. Destino trágico, ninguém sob o céu a nos defender - desabafei silencioso. Nunca mais vi minha mulher e meus filhos. Era a repetição daquilo que experimentara anos antes, quando levaram meu pai. Dor insustentável, senhores, ninguém imagina algo assim: centenas de homens acorrentados, chorando suas perdas, lágrimas silenciosas caídas no chão empoeirado do navio. Dos vinte e dois aos sessenta e sete anos, trabalhei naquelas terras desconhecidas. Ao longo do cansaço da minha vida, coisa que se arrastou em meados do século XVII, vi muitos como eu serem açoitados até a morte. Outros, eu vi morrer de tristeza ou de doença desconhecida. Crueldade, meus senhores, em todos os níveis, isso eu testemunhei. Comíamos restos de comida, e dormíamos em ambientes úmidos, frios e sujos. Os nossos supostos donos nos tratavam como animais. Eu fui vítima de uma gripe, doença para a qual não tinha preparado meu organismo. E não resisti, ela me levou deste mundo. Saibam que não tive o prazer de rever nenhum parente meu antes disso. Descansei do meu castigo de viver. Não obstante, permaneceu o sofrimento do meu povo naquelas terras desconhecidas. Essa monstruosidade intitulada ‘tráfico de escravos’ durou cerca de quatro séculos. Dizem os estudiosos das dores da minha gente, que aqueles invasores, gente branca, batizada como cristã, levou mais de dez milhões de seres humanos do continente africano, amputando-os de suas terras para serem transformados em escravos. E esse processo todo aleijou a nossa descendência, jogando pelo ralo as tradições, os costumes e cultura do nosso povo. Não bastasse isso, ainda tínhamos que sofrer um tenebroso racismo por parte daqueles que nos tiraram da nossa terra. Houve ainda aqueles de sorrisos nas faces, que nos invadiam as aldeias para impor, sem sutilezas, uma crença que não era nossa, com objetivos que certamente interessavam muito mais a eles mesmos. Nós morremos em tudo isso, meus senhores. É, eu não vivi para ver como estariam meus irmãos negros no futuro. Fiquei de longe, desejando que alguém tivesse um instante só de clarividência e nos resgatasse desse mal - nosso paraíso seria restaurado, liberdade enfim. Contudo, independente desse milagre, percebo que nos abafando a luz aqui, noutro ponto brilharemos. Foi assim que sobrevivemos nesses séculos de escravidão e dor. Sempre segregados daquilo que a sociedade decretava como decente e cabível. Hoje, apesar de todas as feridas e remendos em nossas almas, somos o samba e o carnaval no Brasil, nascemos reggae na Jamaica, gospel, espiritual, soul, funk e rap nos Estados Unidos, temos o drible do futebol, medalhas de maratona, incontáveis pódios na vida cotidiana, nós dançamos, nós cantamos, e, em tudo que trilhamos, suplicamos ao Deus-único, sem raça, sem cor, que nos livre da intolerância, da injustiça e do racismo. Não almejamos bajulações ou recompensas, buscamos, sobretudo, igualdade e respeito. Nós fomos felizes um dia, e de certa forma, sabemos ser à nossa maneira. Quando alguém lhes perguntar por que falar da nossa gente, por que levar um pouco da nossa cultura para os colégios e teatros, contem a minha triste história, que é verídica. Talvez possa tocar seu coração. Relatem como roubaram meu pai, minha mulher e meus filhos... ninguém saberá como eu chorei, mas certamente terá uma vaga idéia de como se deu essa crueldade. Lembrem-se, foram dez milhões de negros roubados de suas verdades - dez milhões de tragédias semelhantes. ______________________________.....___________________________________ Ricardo Fabião (23 de abril de 2005)

Saber sobre as mulheres

Sabe-se de um tempo que saber era coisa só dos homens. Mulher, então, nada sabia. Fala-se que já nessa época, eles se julgavam bastante sábios, embora não soubessem explicar por que as mulheres nada sabiam. Sabedoria ou não, esse saber aleijado dos homens, sustentado num lado só da realidade, pariu séculos de outros pseudo-sábios, que curiosamente sobre o saber das mulheres continuaram nada sabendo. Certo dia, um homem finalmente soube que as mulheres sempre souberam, mas tão sabidas foram, que desse silêncio fizeram sua arma - veja que sabiamente aguardaram o crescimento do tal saber dos homens. Não importava mais demonstrar para eles o quanto eram sabedoras das coisas, mas mantê-los equivocados quanto ao que julgavam saber. Saibam que assim iniciou a emancipação dos homens, e não das mulheres, pois elas sabiam exatamente quanto eles não sabiam, provando dessa forma que eram muito mais sábias e evoluídas. Sabendo ou não desse processo, o mundo finalmente resolveu expandir seus saberes para o outro lado da criação: o universo feminino. Uma porta então se abriu, não por completo, mas conseguiu rachar algo na velha estrutura do mundo. É bem verdade que por essa porta poucas mulheres passaram, e certamente muitas não terão chance de passar. Para estas, a vida permanecerá como na época em que se pensava que as mulheres nada sabiam. Contudo, sabemos, muito se avançou no último século neste sentido, onde poucos são os segmentos da sociedade em que as mulheres não estão inseridas ou mesmo ocupando cargos que antes eram destinados só aos homens. Sabe-se que é um bom começo, contudo muito há que se saber e aprender. Do outro lado da verdade, essa mesma porta, que não se abriu por completo à maioria das mulheres, está menos aberta às mulheres negras. E isso não é novidade. Na época exclusiva dos homens, aquela que a evolução deixou para trás, quando uma mulher não sabia de nada, menos ainda sabia uma mulher negra. Ou seja, ela representava a parte mais desprezível da sociedade. Lamentavelmente, é realidade que mudou apenas de cara e vestes, não de gravidade, e precisa urgentemente ser analisada, estudada, reformulada e transformada. Não cabe mais em nossa lista de saberes esse tipo de crueldade. Está dito. Sentemo-nos. Falemos então sobre as mulheres, sobre suas conquistas, sobrevoemos o seu universo, tentemos compreender os seus anseios, os vôos de sua emancipação, a sua pressa, analisemos sua condição em nossa sociedade, sobretudo voltemos nossa atenção maior para a realidade da mulher negra e toda problemática que há em torno de sua história. Não é algo apenas para se saber, é algo para ser mudado. Sabe-se hoje que os homens já imaginam quanto sabem as mulheres, porém muito mais, precisam saber sobre respeito. Somente assim saberão sobre si mesmos, sobre sua descendência e sobre o futuro da humanidade. _______________________________....__________________________________ Ricardo Fabião (escrito em agosto de 2005)

sábado, novembro 05, 2005

Andréa Dória

Começaria, se pudesse, usando uma linguagem diferente, mas “quais são as palavras que nunca são ditas?“ Para Renato Russo tudo era questionável. Coisas de quem não veio ao mundo por acaso. O fato de ter ficado em casa esperando a porta se abrir para uma nova etapa, também deve tê-lo feito pensar, filosofar, compor mais uma vez, sim, havia menos sangue em suas veias, mas de poesia ele certamente estava repleto, e estará sempre. Sua passagem pela terra, suas dores, seus prazeres foram degraus para o seu crescimento. Disso o poeta sabia. Pouca gente entendia... Febre. Mais uma delas - era assim que eu via, era como eu sentia. No início houve uma certa resistência da minha parte. Não queria acreditar que o roqueiro sabia realmente dizer as coisas. Deparei com uma legião de fãs dançando daquela maneira estranha, e deduzi que a música “somente” completava o ritual. Puro modismo - eu dizia. Naqueles anos de rock brasileiro era comum uma certa alienação. Errei. Pessoas menos mesquinhas acordaram antes de mim, e não sei se por imposição da época ou não, enxergaram Renato. Quem o alcançava, por ele se apaixonava. Leila Pinheiro abriu os meus olhos - por que não dizer todos os meus sentidos? - para o compositor. Aprendi com “Tempo Perdido” a “lembrar e a esquecer como foi o dia antes de dormir”. E segui com essa lição, já me sentindo mais urbano, como o restante da legião. Léo Jaime, sempre muito irreverente, conseguiu me surpreender com a interpretação de “Índios”. Acompanhado de violinos, trouxe “de volta todo o ouro” daquela obra. A gravação mais nítida que a do próprio autor, pôde me traduzir um pouco do que era capaz aquele moço “tímido e complicado”, como alguns disseram. A grandeza de sua alma (o “complicado”, talvez, seja-nos entender essa particularidade) se chocava com a pequenez que guia a maioria das pessoas. De tão sensível que era, conseguia se irritar com o mundo, e gritava e berrava. Apelava mesmo, “quase sem querer”. Renato Russo tinha olhos para o mundo. Ele não era daqui com certeza, nem do planalto central nem do Rio de janeiro. Sua voz invadia o nosso corpo em idioma universal. O brasileiro que se comunicou e entendeu o poeta, certamente usou uma linguagem silenciosa, de alma para alma. Nu, como esteve sempre, ele aguardava o instante em que “acaso lhe estendesse os braços, com abrigo e proteção”, mas ele “cansou de bater, e ninguém abriu”. Saiu de fininho, silenciosamente, tão sutilmente que a madrugada carioca nem percebeu. A notícia rompeu a manhã. Bem cedo já havia música de Renato Russo nas emissoras de rádio e televisão. Não vi grandes homenagens em seu nome. Não lhe deram um horário inteiro na Globo. Não tinha corpo de bombeiro levando corpo de roqueiro. O adeus foi discreto. Melhor assim. A paz de espírito que ele tanto buscava não combinava com esse tipo de sensacionalismo. “Mudaram as estações” - disse uma amiga sua de infância na televisão, a frase seguinte da música é muito bem colocada, e todos cantam insatisfeitos: “nada mudou...” É, ele sempre soube que nada era para sempre, porém o vazio em nosso peito idealista: uma verdade a menos neste planeta desgovernado. A minha ligação com Renato Russo é extra. Não me assusta o fato de vê-lo morto hoje, mas a tristeza de não ter trocado duas palavras com ele nesta. Não foram cinco de suas músicas nem um caderninho repleto de frases ditas e cantadas por ele. O elo entre nós não surgiu nos ginásios nem nos discos, é algo pulsando naqueles que acordam para a diferença - assim seria o nosso encontro - conversaríamos sobre a vida. A música da qual nos alimentamos, seria apenas uma lacuna. Em nosso sentimento de quem busca e acredita, a verdade é o que realmente soma. É isso. Quando o sol bate “na janela do quarto” temos a certeza, como ele, de que não somos apenas daqui. Provavelmente escravos servindo “a quem vence, o vencedor... só o amor conhece o que é verdade”. Paulo escreveu e pregou, e o país repetiu e aprendeu a melodia - era um grupo de rock falando de amor num ponto qualquer do dial. Amor mesmo! A legião de fãs, urbana e rural, achou diferente, mas cantou. “Quem me dera, ao menos uma vez, a mais bela tribo, com os mais belos índios... não ser atacada por ser inocente”. Renato, eu sei que a sua dor não provinha de doenças. A maldade do mundo, sim, isso lhe perseguia, e sua imunidade não resistiu. “Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê...” Quem realmente escutou e entendeu o seu brado aqui na terra, sabe que mesmo sendo especial como foi a sua, a vida é uma simples passagem. Um parágrafo a mais no livro da eternidade. Rapaz, a saudade é inevitável. Saudade mesmo! Agora quero ouvir na sua voz, aquela canção bonita “de quem deixou a segurança do seu mundo por amor...” Ricardo Fabião (Essa crônica foi publicada no Jornal ‘A UNIÃO’ dias após a morte de Renato Russo)